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Avatar de Cátia Madeira

Força para este momento, João. Também não quero ficar a cargo dos meus filhos, um dia que a velhice me apanhar a sério. Até porque se já sou dura de aturar, bem velha, nem quero imaginar 😅.

Crescer é tramado, quando eramos pequenitos isto parecia muito mais fácil.

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os hospitais são memoriais para a nossa morte. chego à sala de espera com 36 anos e uma dorzita no olho que me assusta. nos olhos habita o meu maior medo. dizia que chego à sala de espera e vejo um homem com a boca arrumada a um canto, imóvel, cabelo todo branco e sentido de humor vigoroso. resta-nos a voz. uma mulher, ainda parece uma mulher, não tem um único cabelo e usa um guarda-chuva para a amparar da irremediável queda. aproximo-me deles e depois refugio-me no livrinho, sem conseguir ler o livrinho. é inglês, é foster wallace e a sala está cheia de histórias mais interessantes e indecifráveis. depois vou até à casa de banho e no urinol permaneceu o fio de sangue de alguém, faço mira. fugir da morte. fugir da dor, lembrar isto sempre que o meu filho pedir para ir brincar com ele. mas tenho algo, há sempre algo a terminar. um texto. convivo mal com o desleixo, talvez queira deixar tudo feito antes de morrer. fecho o livro, ponho os olhos no ecrã e abro este texto: memento mori.

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