Força para este momento, João. Também não quero ficar a cargo dos meus filhos, um dia que a velhice me apanhar a sério. Até porque se já sou dura de aturar, bem velha, nem quero imaginar 😅.
Crescer é tramado, quando eramos pequenitos isto parecia muito mais fácil.
os hospitais são memoriais para a nossa morte. chego à sala de espera com 36 anos e uma dorzita no olho que me assusta. nos olhos habita o meu maior medo. dizia que chego à sala de espera e vejo um homem com a boca arrumada a um canto, imóvel, cabelo todo branco e sentido de humor vigoroso. resta-nos a voz. uma mulher, ainda parece uma mulher, não tem um único cabelo e usa um guarda-chuva para a amparar da irremediável queda. aproximo-me deles e depois refugio-me no livrinho, sem conseguir ler o livrinho. é inglês, é foster wallace e a sala está cheia de histórias mais interessantes e indecifráveis. depois vou até à casa de banho e no urinol permaneceu o fio de sangue de alguém, faço mira. fugir da morte. fugir da dor, lembrar isto sempre que o meu filho pedir para ir brincar com ele. mas tenho algo, há sempre algo a terminar. um texto. convivo mal com o desleixo, talvez queira deixar tudo feito antes de morrer. fecho o livro, ponho os olhos no ecrã e abro este texto: memento mori.
Não consigo sequer imaginar o que é sentir que estamos a perder alguém aos poucos. Os meus pais são super novos (o meu pai tem 57, a minha mãe 54) e até ver saudáveis qb; e quando os meus avós morreram eu ainda era muito pequenina. Já o meu João perdeu a mãe tinha 4 anos (um cancro da mama); ele tem muita mágoa mas o irmão, que na altura tinha 14, terá sofrido mais na altura (agora sofre ele por saber que não teve 14 anos para conhecer e amar a mãe). Um grande abraço! 🫂
Força para este momento, João. Também não quero ficar a cargo dos meus filhos, um dia que a velhice me apanhar a sério. Até porque se já sou dura de aturar, bem velha, nem quero imaginar 😅.
Crescer é tramado, quando eramos pequenitos isto parecia muito mais fácil.
Fico-te grato, Cátia. É mesmo por aí: se já sou um pouco execrável agora, imagino em velho. Um abraço
os hospitais são memoriais para a nossa morte. chego à sala de espera com 36 anos e uma dorzita no olho que me assusta. nos olhos habita o meu maior medo. dizia que chego à sala de espera e vejo um homem com a boca arrumada a um canto, imóvel, cabelo todo branco e sentido de humor vigoroso. resta-nos a voz. uma mulher, ainda parece uma mulher, não tem um único cabelo e usa um guarda-chuva para a amparar da irremediável queda. aproximo-me deles e depois refugio-me no livrinho, sem conseguir ler o livrinho. é inglês, é foster wallace e a sala está cheia de histórias mais interessantes e indecifráveis. depois vou até à casa de banho e no urinol permaneceu o fio de sangue de alguém, faço mira. fugir da morte. fugir da dor, lembrar isto sempre que o meu filho pedir para ir brincar com ele. mas tenho algo, há sempre algo a terminar. um texto. convivo mal com o desleixo, talvez queira deixar tudo feito antes de morrer. fecho o livro, ponho os olhos no ecrã e abro este texto: memento mori.
Não consigo sequer imaginar o que é sentir que estamos a perder alguém aos poucos. Os meus pais são super novos (o meu pai tem 57, a minha mãe 54) e até ver saudáveis qb; e quando os meus avós morreram eu ainda era muito pequenina. Já o meu João perdeu a mãe tinha 4 anos (um cancro da mama); ele tem muita mágoa mas o irmão, que na altura tinha 14, terá sofrido mais na altura (agora sofre ele por saber que não teve 14 anos para conhecer e amar a mãe). Um grande abraço! 🫂
Obrigado, Raquel.
João, estou sem palavras. Também já assisti a esse espetáculo na fila da frente e consigo sentir a dor de cada uma das tuas linhas. Um grande abraço.
Obrigado, Lídia. Não é nada bonito de se ver, de facto. Um abraço.