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Avatar de João Madureira - Nutricionista

Sim, óptimo post. Vem-me à cabeça a sensação que tenho desde que pratico budismo, que consigo "sentir" o que é uma perda de tempo ou não, "sentir" qual a melhor forma de ver e tentar exprimir as coisas para evitar a entropia ou o emaranhamento de complexos emocionais nos argumentos racionais. Acho que toda a gente consegue fazer isso, mas o budismo aguça isso. Essa sensação de "saber" é algo de muito útil, mas ao mesmo tempo consegue ser uma barreira a ver as coisas de uma forma diferente, se não tivermos cuidado. Li há uns tempos no Marginalian a teoria de um psicólogo dos anos 60, de como toda a nossa personalidade se organiza na forma como reagimos a um pequeno conjunto de estímulos chamado "strokes" (https://www.themarginalian.org/2022/07/12/eric-berne-games-people-play/). Temos um espaço muito limitado para pensar realmente livremente, e somos altamente condicionados pelas escolhas que fazemos. E vivemos numa profusão de estímulos, que nos define cada vez mais em caixinhas estanques umas das outras. Para mim, o budismo ajuda porque destrói a certeza em tudo, porque todos os conceitos são considerados ilusórios. Por exemplo, eu sou um grande defensor do veganismo como algo de suprema importância moral para a evolução do ser humano, mas se eu achasse que era a única verdade absoluta, estaria errado. É importante saber suspender esta cascata de estímulos e destruir as caixinhas mentais em que nos querem categorizar.

Avatar de João Azevedo

Olá João, obrigado pela tua reflexão. Obrigado pela referência desse artigo no Marginalian, fiquei curioso (e novamente muito grato por me teres dado a conhecer os escritos da Maria Popova). Quando conseguir um tempo quero ler. E sim, temos mesmo um tempo bem limitado para pensar de forma livre e as nossas ações - e acrescente ambiente e contexto social - moldam muito o nosso pensamento. Um abraço!