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As relações de poder foi um dos temas do Congresso que organizamos anualmente.

A tua reflexão lembra-me que o poder, como disse Foucault, não se possui: exerce-se. E começa cedo, na linguagem, nos gestos, nas relações quotidianas. A família e a escola não são apenas espaços de socialização; são microfábricas de hierarquias. Pierre Bourdieu dizia que o poder simbólico se reproduz através daquilo que naturalizamos: o “normal” que nunca questionamos.

A questão que colocas, se estamos a criar vítimas ingénuas num mundo violento, é dolorosa. E talvez a resposta não esteja em blindá-los da realidade, mas em ensiná-los a nomeá-la. Dar-lhes vocabulário para reconhecer a manipulação, para distinguir autoridade de autoritarismo, para dizer “não” quando todos calam. Isso não os livrará das chapadas do mundo, mas pode dar-lhes a espinha para não se dobrarem a ele.

Sim, o poder é uma linguagem aprendida. Mas o respeito também é. A empatia também. E há quem as fale com fluência, mesmo em ambientes hostis. Talvez a nossa tarefa não seja protegê-los do mundo, mas prepará-los para nele fazerem diferente.

Se for para correr riscos, que seja por isso.

Avatar de André Carvalho dos Santos

"E até que ponto não estaremos nós, esta pequena bolha de iludidos, a criar futuras vítimas ingénuas a crer num mundo que simplesmente já não existe?"

Isto mexeu comigo. Nem sei bem explicar porquê. Acho que é porque pões a nu a hipótese(?) de que esse mundo já não existe sequer. Quero acreditar que ainda há pessoas como nós que vão vingar e conseguir criar um mundo melhor. Mas tenho medo de estar a ser ingénuo, lá está. E não tenho filhos ainda mas gostava de ter um dia. Acho que também me dá medo pensar em que mundo vão eles crescer.

Enfim, obrigado por me fazeres pensar como sempre e pelo texto.

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