"Nascemos para ajudar-nos uns aos outros, como os pés ajudam as mãos, as pálpebras e os dentes de cima e de baixo. É contra a natureza prejudicarmo-nos mutuamente." - Marco Aurélio
Tens toda a razão relativamente às redes de apoio. Mas gostava de acrescentar uma coisa…
Eu próprio faço parte de uma rede de apoio a dois familiares que são Pais de primeira viagem.
A minha irmã e o meu primo (que no fundo, também é meu irmão) e deixa-me que te diga que a cultura de que falas (a tal que atenta ao sentido de comunidade) se encontra enraizada a um nível muito profundo. Ao ponto de, mesmo aqueles que têm o privilégio de ter estas redes de apoio, sentirem que não as devem usar sem ser em “emergências” (o que é uma emergência neste contexto? Um conceito difícil de delinear)
No fundo… sentem a responsabilidade como sua e unicamente sua.
Tenho dois exemplos ambos bem contraditórios. O meu primo, que me liga para lhe fazer uma sopa sem qualquer questão. E a minha irmã que me fala das dificuldades posteriormente e quando lhe digo “devias ter ligado” ela me responde “não queria chatear”.
Temos de educar também os beneficiários das nossas redes de apoio para que sintam à vontade em recorrer a estas redes pois muitas vezes há um sentimento de culpa e incapacidade associado ao pedido de ajuda.
Temos de normalizar o pedir ajuda aos que nos rodeiam. Da mesma forma que temos de normalizar a aceitação das nossas limitações e cultivar uma cultura de inter-ajuda, seja na parentalidade ou em qualquer outro aspeto das nossas vidas.
Talvez assim sejamos capaz de começar a bola de neve da cooperação (e compaixão).
Obrigado pela perspetiva de quem dá o apoio e o vê ser recebido (ou não) de formas completamente distintas. A tua observação toca no ponto que referi em resposta ao comentário da Catarina: há um condicionamento social que faz com que a nossa resposta padrão seja não pedir ajuda ou recusá-la. Porque é assumir uma insuficiência nossa que, para alguns perfis, é complicada de assumir. Daí as respostas padrão do "está tudo bem" ou "não é preciso, obrigado". E sem dúvida que isto é relevante porque, na construção de uma comunidade, ajudar e receber ajuda tem que ser um processo simbiótico e fluído. Para além de normalizar o pedir ajuda aos que nos rodeiam, que é um passo importante, também temos que normalizar aceitar essa ajuda. Arrisco dizer que é o mesmo tipo de pessoa que teima em pedir ajuda que acaba por a recusar quando lhe é oferecida, isto porque ambas as situações assumem a tal falha/insuficiência/incompetência. Mas também acho que se partir de nós a oferta de ajuda, de uma forma mais imediata e frontal, ajudaremos a desconstruir esta forma de ver as coisas. Mas sim, concordo contigo: para além de oferecermos ajuda, temos que também saber pedi-la e recebe-la. Abraço Fernando!
Também idealizo uma comunidade mais como aquilo que descreves neste artigo, mas também é como dizes, tem que partir de nós. Gostava de o fazer mais vezes, de oferecer ajuda em vez de esperar a reposta a "precisam de alguma coisa?".
Por vezes, achamos que já estamos a fazer a nossa parte ao perguntar, mas se virarmos o foco para nós, quantas vezes é que respondemos afirmativamente a essa questão?
Há toda uma estrutura social, económica e de rotina que nos empurra para responder "está tudo bem" ou "não é preciso nada, obrigado". Porque assumir a nossa própria insuficiência é, para muitos, difícil. Implica vulnerabilidade, auto crítica e, acima de tudo, acolher as nossas próprias necessidades e emoções - ao invés de as suprimir. Por isso quero mesmo manter a intenção de tentar que comece a partir. Até para ser o exemplo que quero moldar aos meus filhos.
Tens toda a razão relativamente às redes de apoio. Mas gostava de acrescentar uma coisa…
Eu próprio faço parte de uma rede de apoio a dois familiares que são Pais de primeira viagem.
A minha irmã e o meu primo (que no fundo, também é meu irmão) e deixa-me que te diga que a cultura de que falas (a tal que atenta ao sentido de comunidade) se encontra enraizada a um nível muito profundo. Ao ponto de, mesmo aqueles que têm o privilégio de ter estas redes de apoio, sentirem que não as devem usar sem ser em “emergências” (o que é uma emergência neste contexto? Um conceito difícil de delinear)
No fundo… sentem a responsabilidade como sua e unicamente sua.
Tenho dois exemplos ambos bem contraditórios. O meu primo, que me liga para lhe fazer uma sopa sem qualquer questão. E a minha irmã que me fala das dificuldades posteriormente e quando lhe digo “devias ter ligado” ela me responde “não queria chatear”.
Temos de educar também os beneficiários das nossas redes de apoio para que sintam à vontade em recorrer a estas redes pois muitas vezes há um sentimento de culpa e incapacidade associado ao pedido de ajuda.
Temos de normalizar o pedir ajuda aos que nos rodeiam. Da mesma forma que temos de normalizar a aceitação das nossas limitações e cultivar uma cultura de inter-ajuda, seja na parentalidade ou em qualquer outro aspeto das nossas vidas.
Talvez assim sejamos capaz de começar a bola de neve da cooperação (e compaixão).
Um abraço João.
Obrigado pela perspetiva de quem dá o apoio e o vê ser recebido (ou não) de formas completamente distintas. A tua observação toca no ponto que referi em resposta ao comentário da Catarina: há um condicionamento social que faz com que a nossa resposta padrão seja não pedir ajuda ou recusá-la. Porque é assumir uma insuficiência nossa que, para alguns perfis, é complicada de assumir. Daí as respostas padrão do "está tudo bem" ou "não é preciso, obrigado". E sem dúvida que isto é relevante porque, na construção de uma comunidade, ajudar e receber ajuda tem que ser um processo simbiótico e fluído. Para além de normalizar o pedir ajuda aos que nos rodeiam, que é um passo importante, também temos que normalizar aceitar essa ajuda. Arrisco dizer que é o mesmo tipo de pessoa que teima em pedir ajuda que acaba por a recusar quando lhe é oferecida, isto porque ambas as situações assumem a tal falha/insuficiência/incompetência. Mas também acho que se partir de nós a oferta de ajuda, de uma forma mais imediata e frontal, ajudaremos a desconstruir esta forma de ver as coisas. Mas sim, concordo contigo: para além de oferecermos ajuda, temos que também saber pedi-la e recebe-la. Abraço Fernando!
Desmanchar as construções sociais será sempre um trabalho em várias frentes.
Também idealizo uma comunidade mais como aquilo que descreves neste artigo, mas também é como dizes, tem que partir de nós. Gostava de o fazer mais vezes, de oferecer ajuda em vez de esperar a reposta a "precisam de alguma coisa?".
Por vezes, achamos que já estamos a fazer a nossa parte ao perguntar, mas se virarmos o foco para nós, quantas vezes é que respondemos afirmativamente a essa questão?
Há toda uma estrutura social, económica e de rotina que nos empurra para responder "está tudo bem" ou "não é preciso nada, obrigado". Porque assumir a nossa própria insuficiência é, para muitos, difícil. Implica vulnerabilidade, auto crítica e, acima de tudo, acolher as nossas próprias necessidades e emoções - ao invés de as suprimir. Por isso quero mesmo manter a intenção de tentar que comece a partir. Até para ser o exemplo que quero moldar aos meus filhos.