5 Comentários
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Avatar de Nando

Tens toda a razão relativamente às redes de apoio. Mas gostava de acrescentar uma coisa…

Eu próprio faço parte de uma rede de apoio a dois familiares que são Pais de primeira viagem.

A minha irmã e o meu primo (que no fundo, também é meu irmão) e deixa-me que te diga que a cultura de que falas (a tal que atenta ao sentido de comunidade) se encontra enraizada a um nível muito profundo. Ao ponto de, mesmo aqueles que têm o privilégio de ter estas redes de apoio, sentirem que não as devem usar sem ser em “emergências” (o que é uma emergência neste contexto? Um conceito difícil de delinear)

No fundo… sentem a responsabilidade como sua e unicamente sua.

Tenho dois exemplos ambos bem contraditórios. O meu primo, que me liga para lhe fazer uma sopa sem qualquer questão. E a minha irmã que me fala das dificuldades posteriormente e quando lhe digo “devias ter ligado” ela me responde “não queria chatear”.

Temos de educar também os beneficiários das nossas redes de apoio para que sintam à vontade em recorrer a estas redes pois muitas vezes há um sentimento de culpa e incapacidade associado ao pedido de ajuda.

Temos de normalizar o pedir ajuda aos que nos rodeiam. Da mesma forma que temos de normalizar a aceitação das nossas limitações e cultivar uma cultura de inter-ajuda, seja na parentalidade ou em qualquer outro aspeto das nossas vidas.

Talvez assim sejamos capaz de começar a bola de neve da cooperação (e compaixão).

Um abraço João.

Avatar de João Azevedo

Obrigado pela perspetiva de quem dá o apoio e o vê ser recebido (ou não) de formas completamente distintas. A tua observação toca no ponto que referi em resposta ao comentário da Catarina: há um condicionamento social que faz com que a nossa resposta padrão seja não pedir ajuda ou recusá-la. Porque é assumir uma insuficiência nossa que, para alguns perfis, é complicada de assumir. Daí as respostas padrão do "está tudo bem" ou "não é preciso, obrigado". E sem dúvida que isto é relevante porque, na construção de uma comunidade, ajudar e receber ajuda tem que ser um processo simbiótico e fluído. Para além de normalizar o pedir ajuda aos que nos rodeiam, que é um passo importante, também temos que normalizar aceitar essa ajuda. Arrisco dizer que é o mesmo tipo de pessoa que teima em pedir ajuda que acaba por a recusar quando lhe é oferecida, isto porque ambas as situações assumem a tal falha/insuficiência/incompetência. Mas também acho que se partir de nós a oferta de ajuda, de uma forma mais imediata e frontal, ajudaremos a desconstruir esta forma de ver as coisas. Mas sim, concordo contigo: para além de oferecermos ajuda, temos que também saber pedi-la e recebe-la. Abraço Fernando!

Avatar de Nando

Desmanchar as construções sociais será sempre um trabalho em várias frentes.

Avatar de Catarina Alves de Sousa

Também idealizo uma comunidade mais como aquilo que descreves neste artigo, mas também é como dizes, tem que partir de nós. Gostava de o fazer mais vezes, de oferecer ajuda em vez de esperar a reposta a "precisam de alguma coisa?".

Por vezes, achamos que já estamos a fazer a nossa parte ao perguntar, mas se virarmos o foco para nós, quantas vezes é que respondemos afirmativamente a essa questão?

Avatar de João Azevedo

Há toda uma estrutura social, económica e de rotina que nos empurra para responder "está tudo bem" ou "não é preciso nada, obrigado". Porque assumir a nossa própria insuficiência é, para muitos, difícil. Implica vulnerabilidade, auto crítica e, acima de tudo, acolher as nossas próprias necessidades e emoções - ao invés de as suprimir. Por isso quero mesmo manter a intenção de tentar que comece a partir. Até para ser o exemplo que quero moldar aos meus filhos.