XLIV
Saberás que não te amo e que te amo pois que de dois modos é a vida, a palavra é uma asa do silêncio, o fogo tem sua metade de frio.
Eu amo-te para começar a amar-te, para recomeçar o infinito e não deixar de amar-te nunca: por isso é que ainda te não amo.
Amo-te e não amo como se tivesse nas minhas mãos as chaves da fortuna e um incerto destino infortunado.
Este amor tem duas vidas para amar-te. Por isso amo-te quando não te amo e por isso amo-te quando te amo.
Pablo Neruda, Cadernos de Poesia 2











