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Alguém meta este texto a passar em loop na Assembleia, em salas de espera e nos waiting rings. Porque precisa com urgência de chegar a quem de direito (que é, como quem diz, a todos).

Trabalho na área de formação (na Cisco, com as Academias Cisco em Portugal) e por isso tenho contacto próximo com muitas escolas secundárias, vocacionais, universidades e centros de formação. É sofrível a lentidão e a falta de recursos que existe. Se não fosse a boa vontade de alguns professores (sobrecarregados e sem ajudas), as coisas estavam ainda piores.

Obrigada por este testemunho! E pelo teu papel diário, também.

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Olá João,

Antes de mais, obrigado por me teres mencionado no teu texto. É um privilégio saber que o meu trabalho tem eco noutros espaços e que ajudaste a levar o meu projeto um pouco mais para a luz.

Queria dizer que concordo com tudo o que escreveste, não só porque partilho da mesma visão, mas porque sinto exatamente o mesmo. A educação é a base de tudo. E neste momento, está ferida. Maltratada. Desvalorizada. Não estamos só a falhar enquanto sistema: estamos a falhar enquanto sociedade.

As crianças hoje não têm tempo para se aborrecerem, e é do aborrecimento que nascem as ideias, os pensamentos e a criatividade. Preenchemos-lhes os dias, os ecrãs, os silêncios. E depois surpreendemo-nos com a falta de espírito crítico ou imaginação.

Também acredito que não podemos continuar a falar dos políticos como se fossem seres de outro planeta. Eles são criados por nós: vêm das nossas famílias, das nossas escolas, das nossas universidades. São parte do mesmo tecido social. Nós também somos responsáveis por aquilo que lá chega. E voltamos ao ponto de partida: a educação é a base de tudo. E, coletivamente, falhámos redondamente.

Claro que este falhanço não é neutro. Há forças e elites que beneficiam desta ignorância estrutural. São os Leões e as Raposas, tal como descrito por Vilfredo Pareto na sua Teoria das Elites, que se vão alternando no poder, sempre com novas promessas, mas os mesmos vícios.

É por isso que vale a pena olhar para exemplos como a Finlândia. Lá, todo o ensino é gratuito e público, o que significa que os filhos das elites estudam nas mesmas escolas que os filhos do resto da sociedade. Isso obriga essas mesmas elites a quererem o melhor para o sistema, porque o sistema também serve os seus. Resultado: ensino de qualidade para os seus, que é, por consequência, ensino de qualidade para todos. Aqui, pelo contrário, quem tem poder foge da escola pública e depois admira-se com o estado em que ela está.

Mas já me alonguei outra vez. Obrigado mais uma vez.

Abraço,

Pagomes

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