Férias
Desde que voltei que me perguntam como foram as férias.
Eu brinco e respondo que apenas continuei a tomar conta dos meus filhos num sítio diferente. Porque voltei das férias cansado e a precisar de férias das férias. Mas, em boa verdade, a mudança de ares trouxe mudança de perspetivas. Foram apenas uns dias com os meus filhos e companheira, pela primeira vez na beira alta. Com as montanhas e sua flora, as comidas. Mas a mudança de rotina, os passeios e o estarmos juntos, mesmo, a usufruir de espaços novos é que soube mesmo bem.
Acho que voltei cansado porque criámos novas memórias. Fizemos caminhadas em trilhos de cabras onde descobrimos amoras silvestres que nos sujaram os dedos e a boca. Subimos até à montanha mais alta da aldeia onde estávamos e sentámos na pedra mais alta de todas. Largámos a rotina da cidade, dos dias, e tivemos novos tempos. Entre mergulhos e risos, viagens com um bebé que não gosta de andar de carro e canções do Tony Carreira, fomos ficando cansados. Mas é aquele cansaço bom, que nos marca. Aquele cansaço que só acontece quando estamos com quem mais amamos, plenos e a usufruir da presença do nosso núcleo familiar.
Como pai, é importante gerir expetativas. As férias sem filhos eram sinónimo de abrandamento de ritmos e descanso e espairecer da mente. Mas com filhos, o importante é aproveitar a quebra da rotina para fortalecer os vínculos emocionais, para usufruir de tempo com eles. Li algures que devemos soletrar a palavra amor da seguinte forma: t-e-m-p-o. Acho que, hoje em dia, as férias nos permitem ter o tempo, mesmo que pouco, para partilhar a vida. E é nesta realização que descansamos o que podemos e amamos como sabemos. Daí o sítio não ser importante, é apenas um acessório. Porque o importante é com quem passamos e como passamos. Esqueço-me demasiadas vezes disto e agora escrevo-o para ver se me vou lembrando.


Gostei deste cantinho! Tou a espera do próximo ;)