Discussão sobre este post

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Avatar de João Madureira - Nutricionista

Interessantíssimo tema. Acho que são respostas muito difíceis. Para já porque cada pessoa reage de maneira diferente, tem necessidades diferentes, mas a cultura de massas, por definição, é vista por muita gente diferente. Logo é um difícil evitar o estereotipo.

Falaste da Bela Adormecida, mas o livro que estou a ler, "Somos Animais Poéticos" da antropóloga Michèle Petit cita um intelectual que diz que a história da Bela Adormecida não é uma afronta às mulheres, mas sim uma fábula de todo o potencial que temos "adormecido" em nós, à procura de ser despertado.

De resto lembro-me de comentar a exploração dos animais de pecuária. São a definição de "underdog", de ser mais fraco. Triliões mortos por ano, muitas vezes de forma violenta. Incapazes de nos reivindicarem os seus próprios direitos, dependem inteiramente de que pessoas o façam por eles.

A mera magnitude da forma como são explorados cria uma dissonância cognitiva, em que as pessoas preferem nem se importar. Ver filmes sobre matadouros como Earthlings é um murro no estômago e pêras, muito difícil, mas muito necessário também.

Claro, a arte pode ajudar, talvez de forma mais simpática. Desde há séculos que as fábulas põem os animais a dar lições de moral aos humanos. Para mim um dos filmes mais interessantes que já vi é o Chicken Run. Um filme que ajuda a criar consciência sobre a existência desses seres, sem criar traumas, adequado à criança mais inocente.

É um pouco isso que acho que a arte deve fazer: questionar, explicar, moralizar, e fazê-lo de forma subtil e até alegre. Ao fazê-lo é impossível evitar estereotipos, mas se for bem feito é um trabalho muito válido.

Como mostra o facto de os animais não poderem reivindicar os seus próprios direitos, acho que temos a obrigação de falar de outros lugares que não o nosso. Mas idealmente, o melhor lugar para falar é o próprio.

Avatar de Daniel Carvalho

Escreveste sobre dois temas enormes (e vários filmes muito bons) num único texto, quase parece que enfiaste o Rossio na Betesga :)

Vou comentar só sobre o primeiro tema/filme e dizer que, apesar de não ser crente, não consigo conceber a fé sem mistério - concordo contigo e com o cardeal Ralph Fiennes. Da mesma forma que não faz sentido dizer que se acredita, por exemplo, na gravidade - é (facilmente) comprovável, mensurável - também não faria sentido dizer que se acredita em Deus se a sua existência fosse um dado adquirido.

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